Os 3 Grandes Movimentos Exponenciais Que Estão Moldando o Mundo

Atualizado: 25 de out. de 2021

Muitas empresas não entenderam a dimensão das transformações pelas quais a sociedade está passando. O que aconteceu até agora não foi nada comparado com o que está por vir.


A mente humana tem dificuldade de processar a exponencialidade. Até entendemos conceitualmente. Mas é difícil perceber o impacto que um movimento exponencial à pleno vapor pode causar nas nossas vidas. Vou explicar com um exemplo: E se a taxa de mortalidade de empresas crescesse de forma exponencial, o que aconteceria?


ANO

​MORTALIDADE DE EMPRESAS

1

1,000

2

2,000

3

4,000

14

13 M

15

26 M

16

52 M

17

104 M

18

209 M

O Brasil têm aproximadamente 20 milhões de empresas. Em 14 anos, todas estariam quebradas. Apenas 4 anos depois que as empresas no Brasil tivessem falido, todas as 300 milhões de empresas do mundo também teriam quebrado.

Ou seja, quanto mais o tempo passa, mais agressivo fica um movimento exponencial. É isso que estamos enfrentando. Muitas organizações acreditam que por terem passado os últimos 20 anos relativamente ilesas das mudanças tecnológicas, passarão também os próximos 20. Isso não é verdade. As empresas hoje precisam lidar com um mundo em transformação, marcado por 3 movimentos:

  1. Os avanços tecnológicos da Quarta Revolução Industrial

  2. Negócios alavancados por capital de risco

  3. Grandes mudanças econômicas e ambientais


Vamos a eles:


Movimento 1: Os avanços tecnológicos da Quarta Revolução Industrial

Ao longo da história tivemos diversos períodos de mudanças aceleradas, conhecidos como revoluções industriais. Foram períodos na história marcados por rápidas transformações em um curto espaço de tempo.


Estamos na quarta revolução industrial, que tem como base a ciência de dados e a computação.


Os impactos econômicos e sociais das transformações são diversos. A redução da qualidade dos empregos e a concentração de renda são alguns dos mais marcantes. Os modelos de negócio escaláveis que estamos construindo visam o crescimento sem a necessidade de contratações. Essa lógica não se aplica apenas às Big Techs, mas à indústria e ao varejo, que estão automatizando processos freneticamente.


Caixas de mercado já são automatizados. Esse é um dos trabalhos que emprega em grandes números e é, muitas vezes, uma oportunidade de primeiro emprego. Na indústria automotiva, boa parte do trabalho já é feito por robôs.


E quando carros e caminhões forem autônomos, milhões de empregos vão sumir rapidamente. A tecnologia para construir edifícios em fábricas, fora do canteiro de obras, já é uma realidade. Se a construção for industrializada, o que vai acontecer com esses empregos?


E o que o empresário tem a ver com isso? Primeiro, se a empresa não se modernizar, seus competidores irão desenvolver competências que ele não conseguirá alcançar. Segundo, ele tem um papel social de manter sua força de trabalho relevante. Isso quer dizer que precisa investir em treinamentos para garantir os empregos dos seus colaboradores no futuro.


Os temas que englobam a quarta revolução industrial são dignos de um livro. Porém, vou tratar abaixo dos pontos mais importantes sobre os principais avanços tecnológicos das últimas décadas.



Inteligência Artificial

O uso da Inteligência Artificial já está revolucionando diversas áreas. Ajuda Fintechs a conceder empréstimos e médicos a diagnosticar exames de imagem com precisão. Câmeras de segurança já conseguem identificar com precisão a nossa idade, identidade e humor.


Não acredita? Veja o documentário In The Age of AI da PBS (o vídeo está abaixo). A primeira parte da reportagem se passa na China, aonde o Estado já está implementando um score de credito social. Se um cidadão atravessar fora da faixa e cometer transgressões, seu crédito abaixa. Se seu crédito for ruim, ele pode ser proibido de viajar e sofrer penalidades. Se seu crédito for bom ele pode ter descontos em passagens de ônibus, por exemplo. O documentário também aborda o impacto da Inteligência Artificial nos empregos e em nossas vidas.





Enquanto os EUA lideram em Pesquisa e Desenvolvimento em IA, a China têm políticas mais permissivas para o uso de dados e está construindo uma infraestrutura para Inteligência Artificial (permitindo o acesso de empresas a dados de cidadãos e preparando estradas para carros Autônomos, por exemplo).


A população da China é quatro vezes mais numerosa do que a população dos EUA. Porém, o número de transações online é 10X maior. O número de pedidos em aplicativos é 40X maior.


 

"Em um mundo aonde dados são o novo petróleo, a China é a nova Arabia Saudita"

Kai Fu Lee

 


A China está atualmente em um plano quinquenal voltado para ciência e tecnologia. A ideia é até 2025 igualar os EUA e até 2030 ultrapassar.


Até agora, os processos de automatização afetaram principalmente trabalhadores de colarinho azul. Agora, os trabalhadores de colarinho branco estão ficando ameaçados. A Inteligência Artificial pode fazer trabalhos repetitivos como entrada de dados em planilhas e atendimento ao cliente.


Isso quer dizer que empresas que adotarem a Inteligência Artificial em seus processos podem ter grandes ganhos de produtividade. Dessa forma, a I.A vai transformar até os setores mais tradicionais.


Computação na Nuvem


Praticamente tudo que fazemos no nosso celular depende da computação na nuvem. De Internet Banking a Redes Sociais. A Computação na Nuvem muda a forma como as pessoas podem acessar e compartilhar dados.


Hoje a competição por nível de serviço mudou de patamar. Uma operadora de celular sem um aplicativo de gestão da conta está em desvantagem. Uma seguradora que não permite o cadastro de recibos por consultas médicas via aplicativo está no século passado.


Veja esse infográfico abaixo sobre o impacto da Computação na nuvem em nossas vidas.



Internet das Coisas

A Internet das coisas, ou IoT, também está causando um grande impacto nas organizações. Internet das Coisas é um termo que se refere simplesmente à comunicação entre máquinas.


Um fabricante de máquinas pode colocar chips que se comunicam com os nossos celulares para sabermos quando fazer a manutenção de nossos eletrodomésticos. O impacto é maior ainda em processos industriais e na agricultura. Um irrigador pode automaticamente detectar o nível de umidade do solo para ser acionado. Uma máquina de plantar sementes pode identificar o período ideal para plantar e fazê-lo automaticamente. Essas máquinas podem transmitir dados para servidores aonde cientistas de dados podem analisá-los e melhorar continuamente esses processos.


Os armazéns de grandes empresas já estão usando essas tecnologias. Na Amazon, as prateleiras do estoque se movem até o colaborador automaticamente, como mostrado no vídeo abaixo :



Michael Porter, o guru de estratégia, escreveu um excelente artigo sobre o tema, que pode ser acessado nesse link


Outras tecnologias emergentes

Além dessas tecnologias, a impressão 3D, realidade aumentada e virtual e nanotecnologia, por exemplo, já estão causando um grande impacto. E irão mudar profundamente os processos nos negócios. A impressão 3D já está sendo usada para imprimir casas em concreto. A realidade aumentada é usada para auxiliar no reparo de máquinas e na localização de produtos em armazéns, por exemplo.


Uma tecnologia que merece destaque especial é a computação quântica. O Google desenvolveu um chip chamado TPU que tem um poder de processamento 50X maior do que um chip tradicional. A computação quântica, entretanto, permite o processamento de dados 100 milhões de vezes mais rápido do que um chip tradicional.



Para se ter uma ideia, um modelo de Inteligência Artificial que levaria 10,000 anos para ser treinado com um chip comum, agora pode ser treinado em alguns segundos com a computação quântica.


Movimento 2: Negócios alavancados por capital de risco


Em 2021, o mercado de VC atingiu o seu auge. Não apenas isso. Em comparação com o terceiro trimestre de 2020, a indústria cresceu + de 100% para U$ 158 B.



O número de Mega-Rounds, rodadas de investimentos no qual o valor do aporte é maior do que U$ 100 Milhões, aumentou mais de 130%, conforme o gráfico abaixo:



Com isso, o número de novos unicórnios em 2021 já é maior do que a soma de empresas que entraram para a lista de unicórnios em 2018,2019 e 2020.




A Blockbuster encerrou as operações 2010. Nessa época, fazia-se 1 ou 2 unicórnios globalmente por ano. Agora, já são mais de 300. Com o número crescente de unicórnios, o risco de disrupção está cada vez maior. É praticamente impossível ficar totalmente atualizado sobre todos os novos unicórnios e suas transformações em diversos segmentos econômicos.


Movimento 3: Grandes mudanças econômicas e ambientais


Eu me formei em economia em 2012. Durante o período em que estava na faculdade, comecei a ver os impactos da crise econômica no Brasil. Quase 10 anos depois, não tivemos ainda um único ano de forte crescimento econômico.



A crise econômica é o novo normal no Brasil, pelo menos até corrigirmos a situação política e conseguirmos fazer as tão desejadas reformas econômicas.


Essa é apenas uma das grandes mudanças globais que estão ocorrendo. Outras mudanças incluem:


  1. Mudanças climáticas que estão causando secas e tempestades globalmente

  2. Ascensão da China com um modelo econômico misto entre Estado e Capitalismo

  3. Aumento da desigualdade econômica e concentração de renda por conta do crescimento de grandes corporações

Cada uma dessas tendências pode ter um impacto em nossas vidas tão grande quanto a pandemia. Você já pensou o que aconteceria se a água se esgotasse em uma grande metrópole, como São Paulo?


Conclusão:


Você já deve ter refletido bastante sobre os temas aqui apontados. As mudanças no mundo estão ocorrendo de forma mais dramática do que podemos imaginar. Dessa forma, precisamos de meios para fazer a gestão cada vez mais ágil das nossas empresas. A inovação corporativa têm 2 objetivos: Reagir rapidamente à mudanças de ambiente e ser proativo, causando transformações que ajudem as empresas a capturar e reter mais valor de seus clientes.


Continue acompanhando as postagens da PilarX. Vamos fazer uma série sobre como as empresas podem se adaptar a essa nova realidade.


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Fernando Alves é mestre em negócios (FT-MBA/2019) pela University of Southern California e bacharel em economia pela FGV. É o fundador da PilarX – consultoria de inovação e marketing





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